
O amor, em sua forma mais pura, é como uma miragem. A gente procura ter um espelho á nossa frente, para que possamos encontrar alguém que nos fosse identico. Passamo á criar ilusoes, para definir como queriamos que fosse essa pessoa, e o que ela representaria para nos. Não conseguimos acreditar que tudo não passa de uma fantasia. Uma invenção do inconsciente para preencher algum espaço vazio. Se chama solidão, e é por ela que eu estou escrevendo agora.
Não que eu sinta uma solidão de pessoas ao meu redor, pelo contrário. Sinto como se estivesse muito bem acolhida. Porém, uma solidão de afeto, sentimentos. Solidão do necessário, que deveria ser o oposto. O preço que se paga para perde-la, é alto. Tem-se que apostar todas as fichas, correndo um risco altíssimo de perder, e além de tudo, perder até o que não apostou. O jogo do amor é assim. Uns perdem, uns ganham. Uns trapaceiam, outros se enganam. Se não fosse assim, não seria um jogo. Se acaba em empate, podemos considerar um bom resultado para ambos os lados. Deveria ser assim, o jogo do amor deveria ser um eterno empate. Não haveria perdas, ou dores, ou trapaças. Simples assim. Apenas se amaria, ponto.
Mas como tudo na vida tem seu preço e o valor á ser pago é muito caro por sinal, quem não estiver disposto á paga-lo nunca tera felicidade plena. Pois terá o dia de perda, sim. Em compensaçao, haverá muitos dias de ganho. Dias em que olhará para o lado, e acreditará que o que vê é um espelho. A barreira será quebrada, e alí estará seu outro eu. Mas desta vez, sem reflexo nenhum. Aquilo não será mais um fantasma, mas sim, a sua metade.
